O texto é da Maitê Proença, uma publicação do seu livro "Uma vida inventada", que por sinal não li (ainda), será minha próxima aquisição.
Os trechos que li me deixaram sedenta e empolgada!
Este trecho me traduz por completo, sou ariana sangue quente, apaixonada e intensa!
Dei algumas adaptadas para unir alguns trechos...
"...Só sei viver um amor se antes ele passar pela cegueira da paixão. Não entregaria minha vida a outro de caso pensado, sou defendida e controladora demais.
Só mesmo a paixão, que é do reino da loucura, me põe entregue e besta, com as patas arriadas no chão. E eis a contradição: nada me descansa mais que um amor insensato – quanta paz e conforto há naquele punhado de instantes em que se vislumbra o paraíso!
Não se morre de intensidade, morre-se, ao contrário, pelo embrutecimento. Deve ser por isso que hoje a medida das coisas muitas vezes me escapa. Quando a gente perde a delicadeza de se deixar mobilizar pelo entorno e recupera isso depois, o valor dos sentimentos se eleva. E pega-se gosto na brincadeira – já que não mata, quero despencar em vertigem de dor até o fundo do poço, e quero subir gargalhando até o infinito supremo, e quero me largar nesse amor feito uma canoa no mar, e quero e quero e quero mais...
Quando o mundo fica bobo, não é nada mal se entregar assim. Sensações podem ser prazerosas ou ruins e fazem a gente palpitar, mas elas vêm de fora, e por isso os sentimentos, a meu ver, lhes são superiores, brotam por dentro, e não há um igual a outro.
Neste mundo não há saída: há os que assistem, entediados, ao tempo passar da janela, e há os afoitos, que agarram a vida pelo colarinho. Carimbada de hematomas, reconheço, sou do segundo time.
..."
..."